Liberdade capilar: Lívia Amaral fala sobre racismo, identidade e o direito de mudar

Você já sofreu bullying ou preconceito por causa do seu cabelo? Para muitas mulheres negras, essa experiência ainda faz parte da realidade. Por isso, falar sobre liberdade capilar também significa discutir racismo, identidade e autonomia.

A liberdade capilar representa o direito de escolher como usar o próprio cabelo, sem precisar atender às expectativas da sociedade. Natural, trançado, black, curto ou raspado: todas essas possibilidades fazem parte da expressão individual. O mais importante é que a escolha seja livre e consciente.

 

“Continuo preta e me sinto linda!”

Aos 24 anos, Lívia Amaral conhece de perto os efeitos do racismo e dos comentários preconceituosos sobre o cabelo. Durante muito tempo, sentiu a pressão de adequar sua aparência para sofrer menos discriminação.

“Tenho 24 anos e, nesse tempo de vida, sofri muito racismo. Quando se fala de cabelo, então, é algo ainda muito presente no meu dia a dia, com alguns comentários racistas.”

Ela conta que já alisou os fios para enfrentar menos opressão na escola. Depois, decidiu assumir o cabelo afro. Entretanto, mesmo após essa escolha, percebeu outra forma de pressão: a expectativa de que deveria manter o visual para reafirmar sua identidade negra.

“Sentia uma pressão após ter assumido meu cabelo, com a ideia de que, se tirasse meu afro, estaria invalidando minha negritude. Sendo que podemos, sim, mudar a aparência. Isso não nos faz menos pretas e não muda nossa essência.”

Para Lívia, mudar o visual quando existe vontade própria deveria ser algo natural. No entanto, julgamentos ainda fazem muitas pessoas questionarem escolhas que dizem respeito apenas a elas mesmas.

 

Cabelo também é liberdade de escolha

A reflexão de Lívia parte de uma pergunta importante: por que pessoas brancas podem mudar o cabelo livremente, enquanto mulheres negras ainda enfrentam cobranças por suas escolhas?

Explorar diferentes estilos não significa abandonar a própria identidade. Além disso, mudar a aparência não altera a essência, a saúde ou a feminilidade de uma mulher.

“É natural, em algum momento, sentir vontade de mudar, e eu cheguei nesse momento. Mudei, estou agora careca e me sinto linda! Continuo preta, estou com saúde, sim, e não afetou em nada a minha feminilidade.”

A decisão representa uma nova forma de expressar sua identidade. Para ela, não existe contradição entre assumir o cabelo afro e escolher raspá-lo depois.

“É só mais uma versão melhor da Lívia. Através desse acontecimento, me liberto de qualquer padrão, com a certeza de que podemos ser o que quisermos e continuaremos sendo incríveis dentro das nossas vontades e sonhos. Liberte-se também!”

 

Liberdade capilar também é luta antirracista

O depoimento de Lívia Amaral integra o especial Mês da Consciência Negra, da Página VIP. Durante novembro, nove integrantes do Hall da Fama da Página VIP produzirão conteúdos sobre temas importantes para a reflexão e o combate ao racismo.

Entre as participantes estão representantes de projetos como Miss Suzano, Miss Afro Alto Tietê, Drag Queen do Ano e Miss Plus Size Alto Tietê.

A proposta é ampliar o acesso à informação e incentivar a participação de todos na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Afinal, a luta antirracista não diz respeito somente às pessoas negras. Reconhecer preconceitos, respeitar diferenças e combater discriminações são responsabilidades coletivas.

 

Texto produzido por Lívia Amaral, Miss Afro Alto Tietê 2022, para o especial Mês da Consciência Negra da Página VIP.

Acompanhe os conteúdos do especial e participe dessa conversa. Informação, respeito e representatividade também ajudam a transformar a sociedade.

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