Entrevista com a Embaixadora Marília Nicacio

Trajetória: Minha história é construída entre conhecimento, cuidado e arte. Sou formada em Administração, pós-graduada em Psicopedagogia e estou no último semestre de Psicologia. Atuo como terapeuta em uma clínica multi-disciplinar, acompanhando crianças autistas, um trabalho que exige sensibilidade, escuta e compromisso.
A arte sempre foi parte essencial da minha identidade. A dança entrou na minha vida aos 12 anos e nunca mais saiu. Ela me ensinou disciplina, presença e expressão, qualidades que moldaram a mulher que me tornei e atualmente sou professora de Dança do Ventre, bailarina e coreógrafa.

Representatividade: Ser Miss nunca foi um sonho, pois não me via representada nesse espaço. Como mulher negra, não acreditava que aquele lugar também pudesse ser meu. Conheci a Academia de Miss por acaso e ali descobri um processo humanizado e sem padrões estéticos impostos. Meu primeiro projeto foi o Miss Afro e ele transformou a minha vida. Lá encontrei mulheres pretas como eu, usando seus cabelos naturais e eu ainda alisava o meu para pertencer e sofrer menos racismo. Foi ali que entendi que não precisava me adaptar para ser aceita e iniciei minha transição capilar, junto com um processo profundo de reconexão com minha identidade.
Não conquistei um título naquele momento, mas ganhei algo muito mais valioso: meu empoderamento e minha verdade.

No ano seguinte participei do Miss Suzano já mais fortalecida e consciente de quem eu era. O título veio como resposta à coragem de ser quem nasci para ser e abriu portas para inspirar outras mulheres negras e da periferia a acreditarem em seu potencial.

 

Embaixadora: Participar do projeto Embaixadora foi a revolução que eu precisava. Foi um reencontro comigo mesma, um resgate da minha essência. Essa jornada me ajudou a ressignificar minha história
e compreender que até
as dificuldades foram fundamentais para moldar a mulher forte que sou hoje.
Quando mudei a forma como me enxergava, o mundo também passou a me enxergar diferente. Vivi uma alegria genuína, profunda, que reafirmou meu propósito. Sou imensamente grata à Academia de Miss por ser um espaço que transforma mulheres de dentro para fora.

 

Projeto: Durante o processo do Embaixadora tive a oportunidade de criar o meu projeto, “N’Zinga – Raízes em Movimento”, que nasce desse propósito de transformação.
Inspirado na Rainha N’Zinga, símbolo de liderança, estratégia e resistência, o projeto utiliza a Dança do Ventre e a saúde mental como ferramentas de fortalecimento emocional, iden-tidade e pertencimento para mulheres. Por meio de rodas de conversa e aulas de dança, o projeto convida cada mulher a retornar às suas raízes internas, resgatar sua potência e se movimentar com mais cons-ciência, autonomia e liberdade.

 

Planos: Meu futuro é continuar transformando vidas. Quero atuar como psicóloga, ampliar projetos voltados para mulheres, especialmente nas periferias e seguir utilizando a dança e a saúde mental como instrumentos de empoderamento.
Pretendo dançar para sempre, inspirar crianças, mulheres negras e pessoas da periferia a não desistirem dos seus sonhos e a ocuparem os espaços que desejarem. Porque não é a classe social e nem a cor da pele que define onde você pode chegar. É a sua determinação.
Tudo aquilo que você é capaz de sonhar, você também é capaz de realizar. Eu sou a prova viva disso.

@MariliaNicacio

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